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A História da
Filarmónica Ermegeirense |
A origem da Sociedade Filarmónica Ermegeirense
remonta a tempos longínquos que se perdem no tempo. Igualmente os seus
fundadores foram tantos, que os que hoje habitam nesta pequena aldeia
não se recordam daqueles que foram outrora muito importantes no
desenvolvimento a função da sociedade. Daí que não exista um historial
da sociedade, apenas uma recolha histórica que um dos elementos da
banda, o Sr. António Rodrigues, que infelizmente já não se encontra
entre nós, foi recolhendo ao longo dos tempos, elaborando um texto que
corresponde ao actual histórico da sociedade.
Os fundadores foram tantos que é de justiça
salientar os nomes de António Feliciano, Luís Guerra Fanfa, Terêncio
Moleiro, Alfredo Milhardo, Sebastião Maia, José Maia, Borracho, Manuel
Camões, Manuel Terêncio, entre outros. Foi este punhado de homens,
adeptos e amigos da música, que lançaram a hipótese de se criar, no
lugar de Ermegeira, um filarmónica.
A ideia concretizou-se, e, no já longínquo dia 5 de
Março de 1882, a Sociedade Filarmónica surgiu.
Devido à existência de uma outra filarmónica no
lugar de Maxial, e sendo a maioria dos seus representantes da
Ermegeira, estes tinham que se deslocar até ao Maxial todas as semanas
a pá, à chuva a ao calor, sem qualquer tipo de transporte. Esta, foi
talvez, a maior causa da fundação da Sociedade Ermegeirense, surgindo
esta, não só pelo gosto pela música, mas também pela necessidade que
estes músicos tinham de viver da música, pela música e para a música.
O primeiro regente da Filarmónica foi o Mestre
Alexandre e com ele a banda deu os seus primeiros passos.
Muitos outros componentes surgiram, para manter
viva esta banda que conta agora com 125 anos de existência e que
promete continuar viva e activa.
Ao longo destes 125 anos, a Sociedade Filarmónica
Ermegeirense tem dado o seu valioso contributo em prol da cultura, a
apesar das imensas dificuldades, que foram surgindo ao longo dos
tempos, sem esta sociedade, a vida da gente da Ermegeira seria muito
mais difícil, pois em muitas horas de amargura, só os sons da velha e
centenária banda filarmónica fazem esquecer as suas amarguras.
Apesar disto, nem tudo são rosas, na vida das
colectividades. E esta também teve os seus dias funestos. E um deles
foi um desastre que, pelo seu imprevisto, fez oscilar, a continuação
da Filarmónica. A 12 de Abril de 1981, um brutal acidente de viação,
deixou esta centenária filarmónica com os instrumentos em precárias
condições, impossibilitando a sua actuação em serviço já programado.
Já se dizia que era o fim da música.
Mas, imediatamente uma campanha de solidariedade se
iniciou: organizaram-se sorteios e peditórios. E com uma valioso ajuda
do Governo Civil, Câmara Municipal de Torres Vedras, Juntas de
Freguesia de Maxial, Secretaria de Estado da Cultura, Secção de Saúde
do Maxial, Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, Jornal Badaladas e
demais amigos, se conseguiu o que parecia impossível: a compra de
grande parte dos instrumentos.
No seu primeiro centenário organizou-se uma
celebração com actividades durante dois meses (de 5 de Março a 2 de
Maio de 1982), no qual actuaram diversas bandas e grupos musicais, são
de salientar a Banda dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, Banda
da Sociedade Filarmónica Incrível Aldeiagrandense, Banda da Escola de
Música da Casa do Povo de Campelos, Banda da Sociedade Filarmónica 1º
de Dezembro de Pragança, Orquestra Ligeira do Exército, Rancho
Folclórico “Flores do Oeste” de A-dos-Cunhados, entre muitos outros,
contando-se ainda com o Grupo de Teatro do Clube Artístico e Comercial
de Torres Vedras e o Grupo de Fados Amadores de Torres Vedras.
Estas comemorações realizaram-se num espaço cedido,
pois a Filarmónica não tinha sítio próprio para estas festividades.
Assim, a direcção da Sociedade Filarmónica
Ermegeirense, preocupada com esta situação, começou a pensar que havia
necessidade em haver na Ermegeira uma casa própria onde se pudessem
fazer espectáculos.
Desta forma, um ano depois do centenário começou-se
a negociar o terreno para a construção do centro social e cultural da
Ermegeira.
Depois de longos anos de construção, esta
associação entrou no ano de 1987, já com as paredes em pé.
Actualmente, a Banda da Sociedade Filarmónica
Ermegeirense conta com cerca de 40 elementos, tendo como Maestro o Sr.
Álvaro Reis e como professor da Escola de Música o Sr. Fernando.
Também outros professores passaram por esta escola, ainda antes da
construção do novo edifício da Sociedade, entre eles o Sr. António
Rodrigues, por quem todos os alunos demonstravam um grande apreço.
Em conclusão, os elementos da sociedade, pensam que
para se manter hoje uma banda de música, é preciso entusiasmar as
camadas mais jovens, mostrando-lhes o que é o papel da música na vida
social. Pois só assim as bandas filarmónicas podem sobreviver. As
escolas de música das filarmónicas, são consideradas o “viveiro” das
bandas militares e orquestrais. E tal como noutras sociedades, também
a SFE tem a sua escola de música desde 1976. |
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